Artigos e Notícias

Esta semana foram divulgados três indicadores que são muito importantes para a economia brasileira, a inflação ao consumidor de agosto e os dados de serviços e varejo de julho. Estes indicadores conversam intimamente com o PIB do segundo trimestre deste ano, que apresentou resultado muito melhor que o esperado e cujo crescimento foi influenciado, sobretudo, por serviços. Portanto, observar estes indicadores será a chave para entender o resultado futuro da atividade econômica nacional e, consequentemente, a condução da política monetária do Banco Central.

O IPCA de agosto apresentou aceleração frente à medição de julho, porém com resultado menor do que o projetado pelo mercado. A inflação ao consumidor acumulada nos últimos doze meses tem resultado de 4,61%, devendo apresentar aumentos nos próximos meses, sobretudo em novembro em dezembro, com a sazonalidade característica de fim de ano. No entanto, observando as expectativas de mercado para o IPCA para 2024 e 2025, devendo apresentar resultados de 3,89% e 3,50%, respectivamente. Esse tipo de leitura de mercado sinaliza ao Banco Central uma ancoragem inflacionária no longo prazo compatível com a continuidade de flexibilização monetária, devendo estar refletido no comunicado do COPOM semana que vem.

Outro ponto muito importante é o impacto que a redução da SELIC terá na atividade econômica. Com juros menores, a população brasileira, seja pessoa física ou jurídica, terão acesso a linhas de crédito com maior facilidade e o nível de consumo deve apresentar elevação, contribuindo positivamente para o PIB dos próximos anos. Mas, antes de conjecturarmos o futuro da atividade econômica, vale a pena vermos como serviços e varejo estão se comportando hoje.

Na divulgação desta semana, em relação ao mês de julho, a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) apresentou crescimento de 0,5% na medição mensal (3,5% na comparação anual), acima das expectativas de mercado. De forma similar, o resultado da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio) também apresentou crescimento significativo quanto a medição anterior e superando as expectativas de mercado, apresentando resultado de 0,7% em julho e 2,4% em doze meses.

Desta forma, com as expectativas de longo prazo para a inflação cada vez mais encontrando uma ancoragem em 3,5% a partir de 2025, e com o horizonte relevante da política monetária convergindo para o mesmo ano, devemos observar uma nova queda na SELIC na semana que vem, com a mesma intensidade observada no COPOM anterior. Portanto, devemos ver a taxa de juros de referência passar de 13,25% a.a. para 12,75% a.a., alinhado, inclusive, com o comunicado de agosto do Banco Central.

Leia também
IPCA de setembro é destaque na semana que vem
Na próxima quarta-feira será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de setembro, que na medição anterior apresentou crescimento de 0,23% MoM (4,61% YoY). Devemos observar leve aceleração quanto aos dados de agosto, sobretudo após os anúncios de aumento de combustíveis, afetando toda a cadeia de logística nacional, de forma que o aumento de…
Agenda brasileira esvaziada traz destaque para cenário internacional na próxima semana
Passado comunicado e ata do COPOM, que confirmou redução de 50 pontos base da taxa SELIC, que, hoje, este em 12,75%, a agenda econômica para a próxima semana, ao menos em termos de indicadores, não deve apresentar muitas novidades, ao menos não no cenário doméstico. No entanto, acredito que seja uma oportunidade para observar o…
Mercado antevê encerramento da flexibilização monetária antes do previsto
Nesta semana o COPOM anunciou queda de 50 pontos base, trazendo a taxa SELIC de 13,25% a.a. para 12,75% a.a. Essa queda da taxa de juros possibilita, sobretudo para 2024 e 2025, que a atividade econômica apresente crescimento. Isso ocorre por conta de maior facilidade de acesso a crédito com juros menores. Desta forma, pessoas…