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Desaceleração inflacionária alimenta prolongamento da flexibilização monetária

Apesar do resultado do IPCA de julho ter apresentado alta de 0,12% em julho, acelerando na margem a inflação acumulada em doze meses de 3,16% para 3,99%, é inegável a forte desaceleração inflacionária que a economia brasileira passou de um ano para hoje. Em julho de 2022 a inflação acumulada em doze meses era de 10,07%, com pressões tanto em preços administrados (sobretudo combustíveis) e livres (produtos duráveis e não duráveis).

A desaceleração da inflação brasileira justificou o início do processo de flexibilização monetária do Banco Central, que iniciou a queda da taxa SELIC no último Comitê de Política Monetária. O que o IPCA de julho pode nos dizer acerca da curva futura de juros? Apesar da aceleração na margem, proveniente sobretudo por conta de combustíveis, as demais categorias, quando não deflacionárias, ou seja, com queda de preço, apresentaram crescimento pequeno. Ou seja, tirando o efeito de preços administrados, que, lembrando, não são afetados pela dinâmica de oferta e demanda da economia e, portanto, não é afetado pela política monetária, a economia brasileira apresenta condições para prolongamento do período de flexibilização monetária.

O Banco Central já havia sinalizado a possibilidade de quedas adicionais, na mesma intensidade (50 pontos base), nos próximos comitês. Portanto, dado o cenário de inflação neste momento e, sobretudo, observando as projeções de longo prazo para o nível de preços da economia, podemos vislumbrar quedas adicionais de juros além do horizonte deflagrado pelo Banco Central, porém, provavelmente, não na mesma intensidade. No entanto, este cenário pode mudar caso alterações significativas quanto às expectativas para a inflação de 2024 e 2025, que ganha cada vez mais peso no horizonte relevante de análise do Banco Central.

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