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Inflação e mercado de trabalho serão destaque na próxima semana

A próxima semana reserva dados muito importantes para a economia brasileira, com destaque para a prévia da inflação ao consumidor de julho (IPCA-15) e para dois indicadores de mercado de trabalho, o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
A expectativa para a prévia do IPCA é de que o índice continue apresentando resultado ameno, contribuindo com a forte desaceleração inflacionária que tem sido divulgada desde o início do ano, sobretudo para itens básicos, como alimentação dentro do domicílio e combustíveis. A expectativa de mercado é que, para o COPOM de agosto, o Banco Central inicie o processo de flexibilização monetária e, portanto, comece a cortar a SELIC.
Apesar do centro das preocupações do Banco Central estar inteiramente em 2024, com horizonte logo alcançando 2025, a divulgação da inflação corrente servirá para ajustar as expectativas do mercado, e do próprio BCB, para as projeções no longo prazo. Por este motivo, as próximas divulgações de inflação ao consumidor devem ser observadas com muito cuidado pelo mercado.
Também serão divulgados os dados de mercado de trabalho. Acredito que valha a pena explicar como os índices de desemprego funcionam e quais as principais diferenças entre ambos os dados. Na próxima quinta-feira (27/07) será divulgado o CAGED, que nada mais é do que o saldo entre pessoas que foram contratadas e demitidas em junho. Portanto, um resultado positivo equivale a um nível de contratação maior que o de demissão. A expectativa de mercado é que, em junho, tenham sido criados pouco mais de 155 mil empregos no Brasil.
Diferente do indicador que será divulgado na sexta-feira que vem (28/07), que é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), elaborada pelo IBGE. Ao contrário do CAGED, que considera apenas pessoas com carteira de trabalho assinada para avaliar o saldo de contratações/demissões, a PNAD considera o perfil populacional em âmbito nacional. Desta forma, a PNAD consegue demonstrar o percentual de pessoas que está procurando emprego, dentro de todo contingente de mão de obra disponível. Portanto, é possível ter maiores detalhes quanto ao nível de desocupação no país, seja por desalento, quando a pessoa não tem perspectiva de encontrar emprego e não busca por vagas, ou por desemprego, quando a pessoa não tem um emprego corrente e está em busca de um novo.
A expectativa de mercado para o nível de desemprego, em junho, é de 8,3%, menor índice de 2023 desde o início do ano (janeiro e fevereiro. Nos últimos anos, sobretudo 2020 e 2021, os índices de desocupação estavam em dois dígitos, alcançando 14%. Conforme a economia brasileira se recupera, e com o fim da pandemia, o nível de desemprego diminui e cria expectativas mais positivas quanto à atividade econômica nos próximos anos, sobretudo com uma inflação e franca desaceleração. Os dados de mercado de trabalho também são essenciais para o Banco Central avaliar a condução da política monetária vigente. Portanto, semana que vem, com dados de emprego e inflação serão importantes para o mercado reavaliar as expectativas quanto a curva futura de juros.

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