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Resultado do COPOM e impactos na economia

O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central anunciou a queda de 50 pontos base da taxa básica de juros (SELIC), que passou de 13,75% para 13,25%. Esse movimento, já esperado pelo mercado, desde o último Comitê, levando em consideração, sobretudo, a desaceleração inflacionária que o Brasil passa no momento. No entanto, comunicado divulgado na noite de quarta-feira também aponta que as próximas reuniões deverão trazer quedas da mesma magnitude. Dado que até o final do ano teremos mais três (3) reuniões do COPOM, a taxa SELIC pode terminar 2023 em 11,75%, caso o cenário base de desinflação para o horizonte relevante permaneça.

Agora, quais os efeitos desta decisão na vida das pessoas fora do mercado financeiro? A taxa SELIC é o parâmetro de juros para o país inteiro, logo, quando fazemos um financiamento, ou tomamos um empréstimo bancário, o patamar da SELIC influencia no patamar de juros cobrado pela instituição financeira. Não significa dizer que os juros bancários serão iguais à SELIC, tendem a ser superiores, porém quando a taxa básica de juros apresenta queda, as demais taxas apresentam o mesmo comportamento.

O momento atual do Brasil demonstra dificuldade de retomada da atividade econômica, sobretudo pelo mercado de serviços e varejo, dado que o PIB do primeiro trimestre deste ano foi impulsionado, sobretudo, pelo agronegócio. Portanto, a redução de juros permitirá que empresários consigam investir mais em seus próprios negócios para aumentar a produtividade. No que diz respeito ao consumidor, com queda de juros, as linhas de crédito ficam mais acessíveis, permitindo aumento do consumo e aumentando a demanda agregada do país, trazendo recuperação à atividade econômica.

O Banco Central deve ficar atento, no entanto, à movimentação inflacionária deste período de recuperação, pois com a retomada da demanda agregada, o nível de preços deve voltar a apresentar aceleração. O Banco Central, em sua função, terá de regular muito bem sua política monetária para assumir que a queda de juros trará aumento de demanda e aumento do nível de preços, portanto cada queda da SELIC tem de ser milimetricamente calculada pensando no efeito que isso terá na inflação futura, que hoje está ancorada em 2024 e, cada vez mais, se aproxima de 2025.

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